No ano passado, um editor da Revista Administradores publicou a seguinte frase no twitter:
"Os gênios americanos criam empresas fantásticas que mudam os rumos da humanidade. Os gênios brasileiros passam em concursos públicos." (Leandro Vieira)
Em primeiro lugar, eu queria dizer que não critico nenhuma das formas de "ganhar (encarar) a vida". São apenas contextos que escolhi para abordar neste post. Também não critico as pessoas que escolheram o setor privado ou o setor público. Acredito que as escolhas só devem ser avaliadas, literalmente, por quem as faz.
São pontos de vista diferentes; escolhas são escolhas, nada mais. Não existe uma métrica para identificar o que é ou o que seria melhor.
Partindo das afirmações acima, seguiremos o conteúdo com um pouco de teoria. A ideia deste post é discutir os conceitos - concurso público e startups. Não, repassar "steps recorded" para fazer escolhas de área profissional. Vamos ao conteúdo.
O conceito de startup surgiu após a época da bolha da internet, fim de 1990. A bolha da internet ficou conhecida pela forte alta das ações das novas TICs - empresas de tecnologia da informação e comunicação. Estas novas empresas de tecnologia, na época chamadas de "ponto com" passaram a ser tratadas como startups (GARATTONI, 2010). Leia mais sobre o estouro da bolha da internet e também sobre a internet de volta à bolsa.

Assim, a startup passou a ser uma oportunidade na qual um "pequeno" negócio, passa a dominar um nicho de mercado e se transforma numa empresa de grande porte [fato este que tem ocorrido muito nos últimos anos].
Mas o que de fato é uma startup?
Startups não são democracias. Olhe para as startups de sucesso e você verá ditadores" (Cass Phillipps , criadora da FailCon)
Uma startup é uma empresa recente que não possui precedentes históricos. É um lugar onde muitos jovens tentam repetir os feitos de Mark Zuckerberg (fundador do Facebook). Nessas iniciativas tem surgido grandes negócios como o sistema Urbanizo e outros...
O termo startup faz alusão, mesmo que inconscientemente, ao termo inovação. Me atrevo a considerar que, se não tem inovação, não é startup. Ainda assim, para que a startup obtenha o sucesso necessário, não basta apenas ter uma ideia inovadora. É preciso de muito mais planejamento.
Li na semana passada a seguinte frase: "Uma longa jornada sempre começa com o primeiro passo, e o primeiro passo é a ideia". É necessário portanto dar os próximos passos; constituir uma boa equipe e investir no negócio escolhido!
Não nos enganemos: assim como gênios "tácitos" não obtêm glória, ideias sem trabalho não fazem sucesso. Os parágrafos a seguir dão uma explanação das contemplações de uma startup.
Entendendo o conceito de Coworking
Quando um grupo de pessoas se une de forma a continuar o trabalho sem que haja a dependência (em tempo real) do trabalho do outro, mas exista o compartilhamento de valores, troca de idéias e experiências, dizemos que existe um coworking. Este tipo de organização é uma nova tendência do século XXI. É a "peça central" das startups.
Entretanto, de nada adianta formar uma boa equipe se as áreas de conhecimento dos integrantes não puderem ser aproveitadas em conjunto. Recomendo ver a seguinte postagem que faz uma abordagem sobre os conhecimentos técnicos da Sociedade no Século XXI.
Toda startup precisa de um modelo de negócio
O modelo de negócio não é uma fonte de receita: é o modo que a empresa vai se sustentar após ser iniciada, como ela vai gerar a receita. Momento em que são definidos os possíveis clientes e o valor que o negócio vai disponibilizar para eles.
Sem um modelo de negócio, nenhuma empresa sai da ideia, e se sair, "quebra" instantaneamente. O modelo de negócio é o ponto crucial para que a empresa saia do papel e faça sucesso.
Investidor, amigo da startup
Os donos de uma startup nem sempre podem arcar com as despesas da mesma, principalmente as despesas iniciais. Por este motivo os criadores do negócio acabam procurando outros investidores. E os investidores serão responsáveis por colaborar com o capital social que a empresa necessita. Dessa forma passam a ser sócios da empresa por meio da compra de ações. Dependendo do tipo de investimento o investidor pode inclusive participar das tomadas de decisão da startup.
Empreendedor, alegria da startup
Para que um negócio funcione com harmonia, é preciso também de empreendedores. São muitas vezes vistos na startup como visionários.
Um empreendedor é uma pessoa totalmente orientada para a ação, (...) é aquele que faz acontecer, é altamente
motivado e assume riscos calculados para atingir os seus objetivos." O empreendedor intenta a empresa de forma a criar os princípios para o negócio. É também o integrante responsável por animar e motivar a equipe. Precisa sempre mostrar o "oásis do deserto" mesmo quando não enxergá-lo.
As aceleradoras dão o "empurrãozinho"
Outro conceito que muito propagou-se nos últimos anos é o das aceleradoras de empresas. Tratam-se de empresas responsáveis por melhorar o desempenho das startups, elas utilizam suas experiências no mercado para ajudar as outras organizações. O porquê das Aceleradoras pode ser respondido com uma simples pergunta: quem é que quer esperar para o negócio?
De acordo com BEDRAN (2012, online) as aceleradoras podem oferecer à startup vários benefícios: mentoring (tutoria), networking e pequenos investimentos. Em geral oferecem o suficiente para prototipar ou lançar um conceito no mercado, uma startup.
O destino é simplesmente a forma acelerada do tempo." (Jean Giraudoux)
Concursos públicos
Até agora vimos apenas sobre as startups. Mas e o concurso público? O concurso público é outra forma de empreendimento que, pode ou não, prover o sucesso, tanto quanto uma startup pode.
O seguinte artigo defende a ideia de que o Concurso público atrai, mas pelos motivos errados. Eu concordo com o post. Já me senti atraído não apenas para o concurso público, mas até por outras empresas pelos motivos errados. Felizmente não sou mais a "mesma pessoa".
Caso o setor público não esteja bom, a melhor coisa a fazer é mudar: trocar o que não esteja bom por algo que faz bem. Indico o livro Quem mexeu no meu Queijo? de Spencer Johnson para melhor se atentar para as mudanças.
Quando você estiver pronto para desistir você estará mais perto do que imagina" (Bob Parsons, fundador do GoDaddy)
O mais importante é não ficar angustiado por não conseguir o que procura imediatamente, não conseguir aquele concurso dos sonhos, o setor público não pode absorver todo o contingente de pessoas interessadas, então não se maltrate: se demorar muito a alcançar os objetivos, mude o foco.
Se fosse fácil não valeria a pena. Mas vale a pena? Não tem como prever/saber. Como disse anteriormente, escolhas são escolhas... Nem mesmo no final da carreira do serviço público tem como descobrir se foi a melhor escolha.
Vimos anteriormente que existe uma bolha na internet, certo? Ok. Também existe a bolha do concurso público! Existem livros, cursos preparatórios, técnicas de memorização, e outros produtos voltados para concurso público. Encontram-se até mesmo sites na web. Vi a poucos dias o site Concursolandia. Acho que seria interessante que o leitor também leia o seguinte artigo, O Ônus da Cultura do Funcionalismo Público.
Sabe-se que a vida do concurseiro as vezes é prolixa e injusta. Mas partindo da ideia de que Pobreza emburrece, muitos concurseiros estão planejando passar num concurso em que não seja exigido tanto conhecimento (um concurso de nível técnico por exemplo) e depois que passar utilizar a base financeira adquirida como meio para garantir os estudos para outros concursos mais vantajosos.
Em todo caso é necessário muito estudo para passar em concursos púbicos ou para criar startups de sucesso. Assim, cada um deve se atentar para a seguinte dúvida: Estudar ou Não estudar – eis a questão!
Existe uma grande diferença entre as equipes de trabalho compostas por servidores públicos e as equipes de trabalho das startups. Embora cada integrante em ambas as equipes tenham visões divergentes sobre vários aspectos do ambiente no qual estão inseridos, na startup a equipe tem uma motivação em comum que beneficia a todos de forma profissional e pessoal. Todos estão interessados no sucesso do negócio.
Porém, é possível atuar nos dois lados. Digo mais, importante é tomar uma decisão; a única forma de não ser inteligente é deixar a vida correr no automático. Isto é que é burrice.
A pessoa que passa no concurso público é na maioria das vezes uma pessoa inteligente. E o indivíduo que cria um negócio de sucesso, também é alguém inteligente. Procurar obter o sucesso é sempre a escolha certa. Seja qual for o modo: tentar passar num concurso ou tentar criar uma startup.
E agora, alguns comparativos interessantes
Concurso público: estabilidade financeira; o salário pode ser maior que o salário da mesma área no setor privado; direito a férias; o concurseiro acaba atuando no cargo que passar, talvez nunca na área que possui afinidade; ganha benefícios e "garantia de vida".
Startup: não existe estabilidade financeira; a receita pode ser muito boa; o trabalho não tem hora nem lugar, a não ser que seja estabelecido; muitas vezes a startup pode ser gerida pela web, permitindo que o funcionário viaje sempre; os benefícios são inúmeros, incluindo o reconhecimento e a satisfação de trabalhar no próprio negócio.
Na vida e no amor, não temos garantias... (...) viva o que tem que ser vivido... Sem medos... O medo é um dos piores inimigos do amor e da felicidade..." (Arnaldo Jabor)
A questão mais interessante entre os dois casos - financeiramente falando - é que na startup, o criador é quem decide o próprio salário. Ele identifica se é melhor continuar investindo no negócio ou gozar dos benefícios atentando-se somente para a existência de dinheiro no caixa.
No caso do concurso público, o estado é quem define quanto o servidor público deve ganhar. Nestes casos dificilmente pode-se mapear as receitas disponíveis para questionar um aumento salarial. No concurso público pedir aumento é humilhante; é preciso fazer greve e implorar pelo aumento. Sem contar que o senso comum - em sua grande maioria - julgará os grevistas como oportunistas mal-intencionados.
Conheço pessoas que optaram por fazer as duas coisas: decidiram trabalhar no setor público e com startups. Na minha opinião, eles são verdadeiros gênios. Ao final deixo a pergunta que um amigo fez hoje no trabalho: qual o tamanho do seu mundo? Se ele for pequeno, saiba que qualquer coisa pode preenchê-lo.
Então leitor,
Qual sua opinião a respeito?
Referências:
BEDRAN, Diogo. O guia das aceleradoras brasileiras. Disponível em: http://exame.abril.com.br/pme/startups/noticias/o-guia-das-aceleradoras-brasileiras. Acesso em: 20 de julho de 2012.
LOUREIRO, Gustavo. Concurso público atrai, mas pelos motivos errados. Disponível em: http://webinsider.uol.com.br/2007/04/25/concurso-publico-atrai-jovens-mas-pelos-motivos-errados
Acesso em: 21 de julho de 2012.
GARATTONI, Bruno. Estouro da bolha da internet completa 10 anos hoje; relembre as maiores bobagens daquela época. Disponível em: http://super.abril.com.br/blogs/rebit/estouro-da-bolha-da-internet-completa-10-anos-hoje-relembre-as-maiores-bobagens-daquela-epoca
Acesso em: 22 de julho de 2012.



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